Nos últimos anos, o Lipedema deixou de ser uma realidade quase invisível para um assunto de grande destaque nas redes sociais, nas conversas entre mulheres e nos consultórios. O Lipedema estará na moda? Não! Está é, finalmente, a ser mais falado. E isto tem um lado muito positivo: mais mulheres têm vindo a encontrar um nome para sintomas até então desvalorizados, levando-as a procurar a confirmação do diagnóstico e a encontrar apoio para uma doença que não é apenas física, mas também emocional.
Mas quando um tema de saúde ganha tanta exposição, cresce o risco de surgirem promessas fáceis e formas pouco éticas de aproveitar a vulnerabilidade de quem só procura respostas e alívio. Entre o diagnóstico e a gestão responsável da doença, instalou-se um mercado paralelo que vive da esperança e, muitas vezes, da desinformação. Tornou-se rotina no discurso digital, dietas e protocolos alimentares altamente sofisticados e restritivos, e com combinações improváveis de ingredientes (um bom exemplo disso, são os célebres “shots anti-inflamatórios”; estas bebidas, mal poderão não fazer, mas também não é por beber um desses shots todas as manhãs que o organismo entra automaticamente em estado zen, livre de inflamação e com as células em euforia a aplaudir de pé). Como se não bastasse, são comuns os suplementos nutricionais “essenciais” carregados de promessas, e os programas de tratamento com preços difíceis de justificar que, não raramente, exploram a fragilidade de quem está cansada de uma dor que é real.
O Lipedema não é uma tendência da internet, não é uma simples questão estética, nem se deve a falta de disciplina alimentar. É uma doença! Um problema de saúde sério, que impacta a qualidade de vida e merece todo o respeito e acompanhamento especializado e honesto. Num tempo em que informação e desinformação circulam lado-a-lado, o pensamento crítico torna-se essencial. Não permita que transformem a sua dor numa oportunidade de venda, camuflada por argumentos bonitos. A bem da proteção da sua saúde, mas também as suas finanças, procure profissionais qualificados, e nunca deixe de questionar se as abordagens estão de acordo com a ciência.
Lembre-se: à data, a verdade é que não existe solução única, rápida ou garantida para o Lipedema. Convenhamos, se o Lipedema tivesse uma resolução fácil, já teria perdido o estatuto de doença crónica.








